A empresa Celera Genomics vai divulgar gratuitamente, no outono (do hemisfério norte), seu mapa do genoma humano, mas venderá suas interpretações do mapa entre pesquisadores e empresas farmacêuticas, anunciou nesta segunda-feira seu presidente, Craig Venter.
O Projeto Genoma Humano praticamente já completou o sequenciamento dos mais de 3 bilhões de bases de DNA de nosso genoma (conjunto de genes que define nossas características) e logo terá mapeado a posição correta dos genes nessa estrutura imensa
É por isso que J. Craig Venter, presidente da Celera Corp., que entregou o texto do genoma à "Science", disse a um jornalista no ano passado: "Nós não sabemos merda nenhuma sobre biologia".
Ian Wilmut, líder da equipe de cientistas que clonou a ovelha Dolly
biólogos moleculares como James Watson seriam livres para fazer o que quisessem. Para saber por que isso é complicado, basta olhar para o próprio Watson e para outros co-autores de "Engineering the Human Germline: An Exploration of the Science and Ethics of Altering the Genes We Pass to Our Children" (Engenheirando a Linhagem Genética do Homem: Uma Exploração da Ciência e da Ética de Alterar os Genes que Passamos a Nossos Filhos, Oxford University Press). Esse livro de ensaios (208 páginas) também contém a fascinante transcrição de um painel de 1998 sobre quão longe o homem poderia ir na modificação dos genes de espermatozóides e óvulos. Hoje em dia, quase todos os testes de terapia gênica são dirigidos a partes específicas do corpo e afetam apenas o paciente envolvido. Essa nova terapia iria alterar os genes passados às gerações futuras. Watson, o co-descobridor da estrutura em dupla hélice do DNA, irrompe com seu vigor catalítico, fustigando o que vê como "preconceitos" morais e sociais contra o avanço da ciência e da medicina. O homem não deveria apenas "tentar a terapia da linhagem genética sem saber completamente se ela vai funcionar", diz Watson: "Se pudesse fazer seres humanos melhores sabendo como adicionar genes, por que não fazê-lo?"
Armas nucleares parecem bem distantes da genética, mas, numa aliança inédita desses campos, a Celera Genomics, os Laboratórios Nacionais Sandia e a Compaq vão se unir para desenvolver o que poderá ser o supercomputador mais rápido do mundo.
Segundo o acordo, Compaq e Sandia vão criar um supercomputador com capacidade para 100 trilhões (1014) de operações por segundo, cerca de oito vezes a velocidade de pico da máquina mais rápida existente. A Celera participará dando conselhos sobre as características do computador que os pesquisadores de biociências poderiam usar em seu trabalho.
Enquanto isso, o Sandia, que tem anos de experiência no uso de supercomputadores para a simulação de explosões nucleares, vai ajudar a Celera a desenvolver softwares para analisar dados biológicos. O Sandia também vai ajudar a adaptar os programas existentes na Celera para que possam funcionar em supercomputadores que usam milhares de processadores, trabalhando em paralelo, para acelerar os cálculos.